O valor do design para o seu negócio


Quando descobri o valor do design


Quando eu entrei na faculdade de design, no hoje distante ano de 1994, o que me impulsionou foi a possibilidade de criar peças publicitárias e entrar no mundo do marketing e dos negócios criativos. Com o passar do tempo, acabei me metendo mais em tecnologia do que design, e somente em 2015 comecei a resgatar o designer que morava dentro de mim. E esta jornada foi muito boa, porque me ensinou o valor que o bom design pode ter para qualquer negócio, e foi o que me levou a fundar a Bygge Design.


O nosso trabalho segue o propósito que está em nosso web site: usamos o design e a tecnologia para melhorar a vida das pessoas e tornar as empresas mais ágeis, inovadoras e resilientes. E boa parte disso está em mostrar para os nossos clientes o valor do design para o negócio, o que demonstramos orbitando quatro pontos.


Velocidade de resposta


Claro que projetos complexos precisam de gestores dedicados, cronogramas com centenas de relacionamentos e softwares específicos. Mas será que toda iniciativa precisa de uma abordagem onde se investe mais tempo ajustando cronogramas do que efetivamente resolvendo o problema? E como reagir quando o problema muda e bem rápido?


Ao usar o Duplo Diamante, uma abordagem fundamentada pelo design entrega a velocidade de resposta e capacidade de adaptação fundamentais para lidar com desafios inesperados. Esta capacidade de adaptação do design é um excelente exemplo de como entregar resultados tangíveis, mesmo quando o desafio muda no meio do caminho. Um exemplo de como isso funciona, está no uso do design na modelagem de edifícios que podem ser facilmente adaptados para usos diversos.


Precisão nas entregas


Imagine que um produto que vende bem em todo o mundo e que quando entra em um mercado que já consome avidamente opções similares simplesmente falha espetacularmente. Incrivelmente isso foi o que aconteceu com o iPhone 3G no Japão. Claro que quando se fala de uma marca icônica e que tem na experiência do cliente um dos seus pilares, o limite entre fatos e fanatismo se perde um pouco.


Mas os fatos são que o consumidor japonês em 2009 gostava de aparelhos com boas câmeras de foto e vídeo, receptores de TV e preços competitivos, e nada disso era encontrado no aparelho da Apple. E quando você não pergunta para os seus clientes potenciais o que querem, é exatamente isso que acontece: o seu produto não encontra o excessivamente falado market fit.


Ao testar protótipos com clientes potenciais, capturar e aplicar o retorno de experiências de usabilidade e satisfação para melhorias no que se pretende entregar, o design entrega um escopo claro do que é preciso ser desenvolvido, em que momento e para que tipo de público.


Redução — ou adequação? — de risco


Não existe nada 100% seguro por um único motivo: qualquer interação com o mercado será de alguma forma influenciada por elementos que você não pode controlar. Porém existem controles compensatórios que podem reduzir ou adequar os riscos de um produto / serviço / experiência. E isso o design entrega com maestria.


Ao se desenvolver algo com o pensamento de um designer, você irá trabalhar com prototipação, gerando respostas rápidas à partir de testes com clientes potenciais, reduzindo consideravelmente riscos de falhas e orientando a construção de soluções desejáveis. Além disso, ao validar hipóteses é possível testar e adaptar experimentos funcionais antes de investir tempo e recursos em novos produtos ou serviços.


O Google Design Sprint se vende desta forma: como desenvolver, testar e validar — ou não — ideias em apenas cinco dias. Eu tenho as minhas considerações se isso é possível em empresas tradicionais, e por isso quando fazemos pela Bygge Design, sempre usamos uma abordagem um pouco diferente da original.


Mas o método funciona, adequa os riscos envolvidos na construção das entregas e pode influenciar positivamente uma mudança comportamental dos participantes que torna a jornada tão importante quanto os resultados. Mas isso é assunto para outro texto. Veja alguns exemplos de como funciona e os resultados pelas palavras dos criadores.


Soluções perenes


Um problema comum às empresas de grande porte é ter tanta tecnologia de um único fabricante que fica economicamente inviável trocar de fornecedor. E isso também acontece com negócios de qualquer tamanho onde a tecnologia se torna base da solução, ao invés de ser uma ferramenta de potencialização. Gosto muito da frase que tive o prazer de ouvir em uma das melhores palestras que já assisti:


Tecnologia não é o problema ou a solução, é somente uma ferramenta. Ao final, são problemas humanos que precisam de soluções humanas. — Dra. Vivienne Ming.

Claro que tecnologia importa e é fundamental para sustentar praticamente qualquer negócio na economia digital, porém ela é uma ferramenta e deve potencializar algo que foi feito para resolver uma necessidade do seu cliente. Focar somente na tecnologia é um perigo enorme, enquanto ao focar na experiência das pessoas e não nas tecnologias, as suas entregas se mantêm consistentes em todos os canais, protegendo o modelo de negócio. E isso o design também te entrega.


Falar é fácil, quero ver números


Empresas que aplicam o design em seus modelos de negócio entregam resultados superiores aos da concorrência em todos os cenários. Uma análise de dez anos realizada pelo Design Management Institute, mostrou que empresas lideradas pelo design mantiveram uma vantagem significativa no mercado de ações, superando o S&P 500 em 211%.



A McKinsey também estudou o tema, monitorando as práticas de design de 300 empresas de capital aberto ao longo de um período de cinco anos em vários países e setores, com os resultados publicados em um artigo que detalha três conclusões centrais:

  • Forte correlação entre o uso do design e desempenho superior do negócio, com as empresas líderes superando a concorrência em 32% a mais de crescimento de receita e 56 pontos de aumento no retorno aos acionistas.

  • Os resultados se confirmaram nos três setores analisados: tecnologia médica, bens de consumo e banco de varejo, mostrando que o bom design é importante para produtos físicos, digitais, serviços, ou na combinação de todos.

  • O mercado recompensou desproporcionalmente empresas que realmente se destacaram na pesquisa durante todos os trimestres no período pesquisado.



Muito interessante, mas onde termina a teoria e começa a prática?


Negócios bem-sucedidos na economia digital usam abordagens centradas nas pessoas, criando ambientes com colaboradores engajados, organizando redes colaborativas de parceiros e entregando para seus clientes uma proposta de valor sólida. E a mudança começa em entender o que é importante na perspectiva de quem consome o que está sendo oferecido, construindo e entregando experiências que simplifiquem as complexas interações que sempre existem entre as empresas e seus clientes.


O design irá te ajudar a derrubar velhas premissas, abrir a mente para como pessoas, processos e tecnologias devem ser entendidos e gerenciados dentro de um mundo com mudanças cada vez mais rápidas, mostrar como equilibrar aquele planejamento onde você olha pelo espelho retrovisor com um foresight do que já está no mercado e você ainda não viu, que as tecnologias mais disruptivas do mundo são cool, mas podem não ser o que você precisa agora.


É preciso ter a capacidade de adaptação. É preciso ter a coragem de mudar, antes que o mundo te force a fazer isso. E o design pode ser a resposta para que isso aconteça de verdade na sua vida e no seu negócio.

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